“Então, Alice, me diz se seria diferente se ela tivesse ficado? Se ela não tivesse ido embora levando tudo que me restou, desde meu interesse por leitura até meu próprio orgulho. Aliás, Alice, se ela me levasse junto com ela. Talvez aqui dentro fosse menos frio, talvez aqui fosse melhor de se morar. Você acredita nisso também, Alice? Sei não… Aqui já era assim antes dela, Alice. Ela apenas aqueceu um pouco essa minha sala de incertezas. Não durou tempo o suficiente para torná-la agradável. É, Alice, ela foi só uma brisa quente nos meus dias gélidos. Mas talvez eles fossem mais suportáveis se ela tivesse ficado.” (desesperançoso)


“Deixar alguma coisa importante para trás é tão desgastante. Desgasta sua vontade de seguir em frente, desgasta tua memória, desgasta seu interesse nas outras coisas. Você deveria sentir-se mais leve, mas o peso da saudade te afoga em nostalgias. E no final, o que sobra? Sobra a vontade de retroceder alguns passos e pegar o que você deixou no meio da estrada, aquele arrependimento frio. […] A cada passo você desgasta-se mais um pouco e o que antes era inteiro, agora só sobrou alguns fragmentos e eles simplesmente não lembram como eram antes de se despedaçarem.” (desesperançoso)


Queria não ter o que pensar agora. Talvez assim pudesse dormir melhor.